Hoje trago até vocês quatro casos que ajudaram-me a formar opinião a respeito do polêmico enunciado: design é arte ou vice-versa.

CASO 01 – O GRANDE ARTISTA

Na noite de autógrafos do livro infantil A Lagartinha que se Tornou Borboleta, o prof. Uchôa, reitor da Universidade Tiradentes, em seu discurso de agradecimento, usou o termo “grande artista” para elogiar meu trabalho de ilustração e projeto gráfico.

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Imediatamente me veio à mente toda a minha trajetória profissional como designer e artista gráfico. Lembrei o quanto ser chamado de artista um dia já foi motivo de desconforto para mim.

O livro teve seu projeto gráfico iniciado e finalizado em 2006, mas somente em outubro de 2018 ganhou as livrarias; um indício do quão desafiador é entrar no mercado editorial brasileiro. A guerreira Rosangela Aragão Maia é a criativa autora do conteúdo transdisciplinar desse livro. As crianças vão adorar!

CASO 02 – PRIMEIRO E ÚLTIMO DIA DE AULA

Um aluno procurou-me ao fim da primeira aula da disciplina de Design de Embalagem do curso de Design Gráfico da UFS. Ele era arquiteto formado e atuante, e estava visivelmente incomodado com os conteúdos dos seguintes slides:

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O aluno afirmava que em seu processo de criação não conseguia discernir quando estava a fazer design e quando estava a fazer arte. Para ele, técnica e arte coexistem indivisivelmente quando está desenhando seus projetos arquitetônicos.

Infelizmente o aluno não retornou mais às aulas, impossibilitando um rico debate que poderia surgir a partir dali, afinal de contas, o professor também é aluno quando está em sala de aula.

CASO 03 – “MANDE A ARTE EM COREL”

Há pouco tempo atrás, quando trabalhava em agência de publicidade, incomodava-me o fato de ser chamado de artista ou, pior ainda, que me pedissem para “enviar a arte em Corel”.

A minha preocupação era que achassem que o fruto do meu trabalho parecesse obra do acaso ou de uma energia criativa que precisava fluir a qualquer custo.

Um belo dia, estava revisitando com o meu filho de 8 anos os meus desenhos antigos da vida pré-universitária.

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Lembro que exercitava o meu “design” nos trabalhos de escola, em HQs autorais e nos cadernos de anotações das matérias, mas não lembro de me preocupar com as delimitações entre arte e design.

CASO 04 – O ARTISTA ESTUDANTE DE DESIGN

Por que recusei por tantos anos o rótulo de artista?

Meus pais e irmãos sempre me viram como artista, e eles não estão errados.

Penso que meu preconceito nasceu assim que coloquei os pés na universidade e comecei a trabalhar com isso. O ofício de design gráfico apresenta ferrenhos defensores que fazem questão de demarcar território em meio a uma economia criativa tão difusa e simbiótica. Vejo isso como uma prática que tenta criar uma reserva de mercado para uma “profissão menos nobre” e que carece de valorização e reconhecimento.

Ainda, muitos veem na regulamentação de nossa profissão a oportunidade que falta para que consigamos entrar no hall de profissões que asseguram proteção jurídica para instituições e para cidadãos lesados por práticas de profissionais irresponsáveis.

ART X DESIGN = BULLSHIT

Acredite em mim, não vale a pena para nós, designers de chão de fábrica, gastar nossa energia nesse embate.

Interessa mais aos estudiosos das ciências sociais, em suas pesquisas de mestrado e doutorado, demarcar os espaços limítrofes entre a atuação de um designer e de um artista. É natural do método de pesquisa científico que se tenham claros esses territórios.

Ao meu ver, o que realmente importa é deixar impressa a sua marca em cada job entregue, em cada projeto gráfico realizado, em cada logotipo apresentado ao seu cliente, em cada mascote desenhado. Haja com o máximo de rigor técnico possível, seja idôneo, responsável e ético.

Designer, aceite de peito aberto o seu lado artista, sem preconceitos e tendo a consciência de que você está utilizando a arte aplicada ao seu favor. E quando tiver um tempo para tirar aquela ideia da gaveta, o famoso projeto pessoal, libere todo seu potencial artístico sem medo de ser feliz (como no exemplo abaixo, o Candango Project).

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